Destaques na Edição 144
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19 de set, 2017
Mercado Pet - Um mercado em plena expansão
NP
Redação
Negócios Pet
Artigos de luxo para uma classe privilegiada? Não, não mesmo! O mercado pet e vet está em franco crescimento e cada vez mais pessoas procuram por serviços, cuidados e alimentação adequada para os seus animais de estimação.
Em um período que grandes mercados sofreram momentos de recessão econômica, o segmento de saúde animal, especificamente o de cães e gatos, não foi diferente.
O mercado de saúde pet fechou em 2016 com um crescimento de 8% em relação a 2015. Este número representa uma freada histórica para o setor que vinha mantendo uma média de 18% em taxa composta de 2010 a 2015. “Vínhamos crescendo ano a ano a uma taxa alta, entretanto o ano de 2016 representou um grande desafio para nós”, afirma Dr. Leonardo Brandão, médico-veterinário, coordenador do Infopet da Comac (Comissão de Animais de Companhia), do Sindan (Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para a Saúde Animal) e também diretor da unidade de Negócios Pet da Ceva Saúde Animal.
Em 2016, o bom desempenho de algumas categorias de produtos, tais como ectoparasiticidas (11,6%), endoparasiticidas (12%) e terapêuticos (21%), garantiu o crescimento no setor.
Com o mercado menos favorável, toda a cadeia (lojistas, distribuidores e indústrias) é desafiada a aprimorar sua capacidade de gestão, o que inclui corte de gastos, gestão de estoques e atenção às margens de lucro, por exemplo. “Um ano de dificuldades econômicas faz com que todos tenham que se esforçar mais e abre espaço para as melhores práticas gerenciais, o que traz mais qualidade ao setor”, complementa Brandão.
Apesar dos números desanimadores, esse não é um mercado em involução, aliás, muito pelo contrário. Muito se tem falado sobre suas infinitas oportunidades que proporciona, por conta do relacionamento cada vez mais próximo entre humanos e animais.
Hoje, o Brasil conta com a segunda maior população de cães e gatos do mundo. São 52 milhões de cães e 22 milhões de gatos, segundo dados do IBGE, e ainda assim poucos animais recebem medicamentos ou visitas regulares às clínicas veterinárias. E, por conta disso, a Comac e diversas instituições do setor estão sempre esforçando para conscientizar os tutores de seu papel nos cuidados com a saúde dos animais, que hoje são considerados parte da família.
Para este ano, a expectativa é de que o setor volte ao seu ritmo de crescimento acima de dois dígitos. “Em breve teremos dados substanciais de 2017 e conseguiremos traçar uma tendência mais assertiva para o mercado”, completa Brandão.
“O que estamos observando nesse mercado nos últimos dois anos é que com a crise brasileira o mercado pet também sentiu reflexos. Não foi afetado logo no primeiro momento, mas a partir da intensificação da crise, quando vínhamos crescendo em dois dígitos, esse crescimento foi freado. O PIB foi negativo em três pontos e o crescimento no segmento ficou acima de 5%. Este ano, especificamente, a crise do setor de serviços impactou o mercado de pequenos animais. Como a gente fala em mercado pet e veterinário que envolve produtos e serviços, a indústria foi a primeira afetada. O consumo não diminuiu em volume, mas sim em valor. Os clientes passaram a reduzir o nível dos produtos consumidos. Quem consumia ração superpremium passou a consumir a premium, por exemplo”, argumenta Carlos Petrucci, presidente da Comissão do Mercado Pet do CRMV-RS.
Dados da Abinpet mostram que o consumo de ração representa quase 70% do faturamento do mercado pet e que houve até um crescimento em quilos, porém ocorreu a migração para marcas ou produtos de menor valor. O serviço sentiu este mesmo processo depois. Os banhos que eram semanais passaram a ser quinzenais e assim por diante. “Em 2017 tivemos um ano que iniciou otimista, com o primeiro trimestre com números nacionais positivos.
Consequentemente todos otimistas, mas infelizmente a crise política foi retomada logo após e a partir daí se instalou uma insegurança. O que observo a partir de agora é que alguns termos que se escuta em outros setores como inovação precisam também ser adotados no segmento pet. Temos que pensar, além da parte tecnológica, que todos os mercados estão voltados para a inovação e o mercado pet não é diferente”, analisa o presidente da Comissão do Mercado Pet do CRMV-RS.